hoje só me apetece dizer que isto, de se viver e de se andar por cá, tem tanto de imprevisível e é precisamente essa imprevisibilidade da vida que a torna tão fascinante. nada de novo portanto. mas a verdade é que nos detemos, todos nós, a pensar muito pouco sobre isso. a piada da coisa, da vida, é que ela entretém bastante para não nos dar tempo, e para depois nos apanhar nas armadilhas, até darmos valor ao facto de estarmos por cá.
este meu post vai ser bastante cliché, mas afinal de contas... também é isso que torna tudo melhor e mais perfeito.
não me envergonho nada de dizer que tenho um medo da morte terrível. tenho um medinho que "me pelo", cagufa mesmo!
talvez incontornável pelas razões óbvias. talvez incontornável por ainda não ter aprendido a aceitar a eternidade da alma. talvez por ter uma fé, frágil é certo e, ao mesmo tempo, muito enraizada numa contradição que me baralha e que nunca soube aceitar muito bem o facto de nos arrancarem da frente e do peito, a sangue frio, aqueles que amamos.
fui confrontada com a morte desde muito cedo e é aí que se calhar, fujo dela a sete pés.
não achei piada absolutamente nenhuma a amores como o ghost - o espírito do amor, não sei entender filmes de lutadores orientais que têm não sei quantas vidas a quem trespassam facas no peito e que a seguir se levantam a fazer piruetas no ar. fico destroçada com mortes, sejam elas quais forem. fiquei sem a minha avó tinha ela cem anos. certinhos: cem anos e cinco meses. desculpem-me os mais sensíveis ou os que me poderão acusar de egoísmo mas eu queria ser egoísta e tê-la muito comigo outros cem, para me chamar ervilha e eu fazer-lhe festinhas no cabelo branco e macio.
perdi o meu avô materno com 7 ou 8 anos. caído no chão frio e sem aviso. apesar de me terem mandado para casa de uma tia passar umas tardes de abril super divertidas, fiquei com a nítida sensação de que nunca mais o iria ver.
a seguir, mais tarde e depois de me certificar que quem cá estava viveria para sempre e que nunca mais iria cair no chão, era eu uma menina de coro, fui cantar (imaginem a cena surreal): fui cantar ao funeral de uma prima, muito, mas muito afastada. tudo bem, se eu não fosse uma miúda com a cabeça cheia de fantasias e ilusões, a por o olho sempre de canto a tentar captar o que estava à volta. escusado será dizer que dormi de luz acesa muito e muito tempo e sempre a olhar para a cama do lado onde dormia a minha irmã. era sempre bom saber que não estava sozinha.
bem, depois desapareceu num acidente de automóvel, e aqui começamos a ganhar a verdadeira noção do que é a morte, uma colega de turma. tinha quinze anos e vinha de uma discoteca de madrugada. aquelas coisas que nunca deveriam ter acontecido.
quando era caloira, a doce g., dizem, estava farta de viver. não quis mais e foi uma história e continua a ser uma história triste que nos deixa, ainda hoje e a todos os que a conheceram, perplexos.
somos sempre confrontados com as tragédias. as nossas. as dos outros. e a tragédia para mim é a morte. é apanhar uma doença ruim que fragiliza e derruba. é cair para o lado e ficar.
e é essa a imprevisibilidade da vida. ver a tristeza no olhar e ouvir a angústia na voz.
e hoje é isso que sinto em muita gente com quem já estive, a propósito de - mais - uma tragédia que aconteceu com uma pessoa daqui. eu não conhecia. mas a forma como os meus amigos ou pessoas que eu conheço falam sobre o assunto. a forma como acontece, a forma como nos colocamos no lugar de quem fica e de quem amaria essa pessoa e a forma como se lamenta, leva a pensar de novo sobre tudo isso e a colocar a pergunta do costume: mas porque raio nos havemos de massacrar tanto enquanto cá andamos? porque nos massacramos a nós e aos outros? porque damos demasiada importância ao que não interessa para coisa nenhuma e gastamos energias com tudo aquilo que nos faz mal?
gastamos energias de mais a ficarmos carrancudos, a "desviver" quando deveríamos estar a viver.
e hoje, apesar de todo o cliché que tem este meu post, apetece-me dizer, como o sonaldo, que é bom que façamos o favor de sermos felizes. e sermos felizes a todos os minutos, a todas as horas e em todas as oportunidades que ela, a vida, nos dá.
porque eu tenho um medo da morte terrível e quero muito viver e que tudo viva à minha volta.
Querer permanecer...quando tudo nos foge por entre os dedos. O que faremos? Metamorfose ou abandonar o cerco? Se o amor vale a pena permanecer..amigo companheiro mae pai...pessoas singulares mas que dao plural a nossa vida. Obrigada ervilhinha Palavras de animo
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