agora que passaram apenas dois dias ainda não acredito muito bem que fui fazer uma mini maratona, fora da minha área de conforto (que é onde costumo treinar) e ainda mais fora dos km que costumo fazer.
comecemos pelo princípio:
correr era, na minha confortável e acolhedora vida de ginásio e da passadeira, com as aulas de grupo e o cycling pelo meio, a mais remota das missões. eu não corria porque tinha (e tenho) uma hérnia na coluna (l4 e L5 - para os entendidos) e então deus me livre; eu não corria porque chovia; eu não corria porque estava muito calor; eu não corria porque não tinha companhia; eu não corria porque não gostava. e ponto final.
até que, e agora que olho mais para trás e não me lembro muito bem como começou, um dia fiz 5 km e não parei mais. as pessoas que me amam acham, por um lado uma inconsciência e um risco e um esforço desmedido. por outro lado, neste caso, o meu homem, acha muito bem, motiva-me ao máximo, compra-me relógios medidores e assessórios, vai comigo escolher as sapatilhas, as mais top e mais confortáveis se possível! um riso, portanto, ver-nos a comprar material de desporto. ele oferece-se para acordar às 6h da manhã se for preciso, para me levar ao destino da prova.
bom, neste cenário eu tinha dois mundos e duas opções e é aí que o paradigma se encontra, entre esses dois mundos que qualquer pessoa que corra acaba por conhecer: o antes e o depois da corrida. o antes e o depois do correr.
entretanto, eu tenho a felicidade e a sorte de ter aqui um terceiro mundo: as pessoas com quem corro. as pessoas que, sem saberem, me motivam, me inspiram, me dão as mãos e que lutam comigo. que me sorriem e dessa forma me levam com elas. que são lamechas e duras nos momentos certos. as pessoas que me abrem os braços quando choro ou quero desistir.
não são aquelas pessoas que dizem "hoje estás mais gorda" ou "andas inchada" ou "olha-me para as tuas pernas, que é que andaste a fazer??!!" (e sim, referem-se à celulite). são aquelas pessoas que tocam à porta com um "treinamos hoje?" ou "vamos lá, às 19h no ginásio para sairmos!" ou o mágico "malta, dia 30 há uma mini maratona em gondomar, vamos? são só 15 km".
e esses só 15 km transformam-se, para mim, numa aventura de vida. é ir a correr quase sem saber como se chegou ali e alguém nos dizer "anda, força!" e corrermos mais.
neste momento, acredito com todas as forças que encontrei o melhor dos mundos para a superação, ou, se quiserem, que o procurei e encontrei! naquele mundo muito meu e das pessoas que dele fazem parte há uma espécie de magia que raramente se encontra e nunca se deve perder. uma magia que agradeci e que absorvi com todas as minhas forças naquele domingo, quando as nossas mãos, juntas e em roda se ergueram no ar, antes da corrida começar. uma espécie de magia que só quem me abriu os braços e deu os ombros no final quando chorei compulsivamente, entende.
hoje, acredito mais em mim.
e, sem querer fazer aqui uma espécie de introspeção de clichés, só vos digo que no domingo foi assim. não sabia muito bem porque ía mesmo tentar fazer 15 km sem parar. nem sequer sabia porque raio iria acordar às 6 horas de um domingo, ou sequer, se conseguiria acordar. nem sabia que iria mesmo vestir a camisola branca de alças para correr, pois acho que tudo que seja branco não me favorece. para dizer a verdade, eu nem sabia se iria!
foram os melhores 15 km de sempre.

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