quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

confiar

enquanto o que eu gostava mesmo era que os meus colegas sindicalistas se reunissem para discutir e lutar pela reposição de salários na função pública, hoje entreguei a minha confiança ao serviço nacional de saúde e regularizei a "papelada" e o estado da maquinaria ao médico de familia.
se calhar é triste fazer uma afirmação destas. mas a verdade é que, e todos sabemos que é assim, entre aproveitar a adse e ir a um hospital privado onde a consulta de especialidade custa pouco mais do que um café ou estar sujeita aos humores de funcionários e e presença (ou não, na maioria não) de médicos no posto de saúde, não há muito por onde decidir.
desta vez, fiz-me à vida, resolvi sair da minha antiga área de residência (onde aliás, só permanecia por puro comodismo) e inscrever-me na unidade da freguesia onde resido já quase há oito anos.
tratar de regularizar a situação demorou 10 minutos. marcar a consulta com o médico foi na hora. e hoje já fui atendida.
conversamos, preenchemos papéis, marcamos análises.
tudo em português - espanhol, com uma simpatia e atenção que eu não estáva nada à espera.
dizem que de espanha não há ventos nem casamentos que resultem, mas eu não sou nada xenófoba ou preconceituosa.
acho que devo confiar, que isto de se ser desconfiado também não está com nada.
a ver vamos, ao fim e ao cabo, é o nosso serviço nacional de saúde, considerado um dos melhores da europa (pouca gente sabe disso). e os livros de reclamações existem para isso mesmo.
acredito que assim, parece que também estou a mudar um bocadinho o mundo.
enquanto isso, gostava que se preocupassem menos com o facto de termos que trabalhar ou não mais 4 ou 5 horas por semana e que se preocupassem mais com a valorização das carreiras, a valorização do capital humano, a reposição de salários, a consequente motivação dos recursos.
a verdade é que há gente boa e má nos dois lados da barricada, que sempre separou esta caixa cinzenta pintada de incompetência e má vontade que é o serviço público, da caixa "perfeita" dos ditos "trabalhadores normais".
há que confiar, e dar espaço para que cada um de nós cresça naquilo que faz, para que se aperfeiçoe, para que melhore. sairemos todos beneficiados se assim for, seja na oficina onde levamos o carro, na padaria onde compramos o pão, no avião em que viajamos, na escola onde estão os nossos filhos, no hospital público ou na clínica privada onde tratamos da nossa saúde.
o cliché é velho, velho. ao mesmo tempo que escrevo penso se não estou a repetir milhares de frases feitas. mas a verdade, é que se queremos exigir e usufruir, a mudança também está em cada um de nós. 

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