quinta-feira, 1 de outubro de 2015

vinte e quatro

 este era o texto que queria ter publicado no dia 25 de setembro, ou mesmo no dia 24 á noite, mas a falta de inspiração é uma coisa tramada. ou, quando se está a sentir demasiado as coisas não se consegue escrever:
"já passou algum tempo. e, só quando reencontrei alguns companheiros de corrida durante a semana, é que percebi o verdadeiro sentido das "24 horas" na minha vida.
a emoção foi tanta que não consegui encontrar palavras para a descrever logo a seguir, tal como contava fazer. algumas pessoas disseram-me "devias", perguntaram "então?quando é vais escrever sobre a prova?", atiraram "já fui ao blog, mas ainda não tens lá nada".
a verdade é que, e esta foi uma ideia que partilhei com a minha equipa, não encontrei palavras, inspiração, e emoção escrita que traduzissem o que senti, este ano, nas "24 horas a correr".
foi um misto de dureza, de euforia, mas, ao mesmo tempo, de muita tranquilidade. acho que era do cansaço, mas por momentos, também achei que aquilo nem era nada comigo. mais uma vez, como em tantas outras situações, parecia que me estava a olhar de fora.
esta é uma longa história, começou já há alguns meses atrás quando decidimos, já nem me lembro como, participar com um grupo de quatro mulheres nas 24 horas a correr e que ía acabando quando constatamos que uma de nós estáva doente e não poderia participar. estivemos quase a desistir pois com três pessoas seríamos desclassificadas e, sinceramente, irmos lá para nem contarmos nas estatísticas não estáva, de todo nos nossos horizontes. a ideia era ir, participar, fazer parte daquele filme todo, mas trazermos alguma coisa que pudéssemos contar!
a vontade de aceitar o desafio e envergar na aventura, ou na loucura (!), era tanta que lutamos até ao início da prova para irmos, conseguindo alguém que substituísse o elemento que nos faltava. não foi fácil... nada fácil, chegou a ser incompreensível até. afinal, a corrida, tinha começado semanas antes e talvez seja por isso que a nossa n. dizia que parecia que tinha andado "semanas às voltas, a correr no parque".eu também senti isso.
no fim, parece que nos esquecemos do cansaço, das dores nas pernas, daquela madrugada que não passa, (é que não passa o raio da noite!), do frio (senti tanto, mas tanto frio), parece que nos esquecemos da má disposição (e dá para ter enjoos e náuseas, já vou avisando), da impossibilidade que se desenha por momentos na mente. no final esquecemos tudo isso para descobrirmos o verdadeiro sentido de estar ali.
e esse sentido não tem nada que ver com corrida.
tem apenas que ver com: cabeça, coração. superação. ligações. ligações entre as pessoas.
as 24 horas, para mim, são isso, ainda hoje: ligação entre pessoas e superação pessoal.
porque mesmo quando se corre em equipa e mesmo quando o "nós" é absolutamente imprescindível e insubstituivel, é naquela solidão noturna, quando apenas ouvimos a o movimento dos pés e sentimos que poderiamos estar tão bem na nossa cama em vez de corrermos gelados durante a madrugada, que o "eu", tem um poder, uma força que não se consegue descrever.   

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