segunda-feira, 4 de maio de 2015

a lesão. e a corrida com a lesão.

começo a achar que há sempre uma primeira vez para corrermos lesionados. e digo isto com a certeza de quem foi ontem correr só e porque apenas queria muito.
bem, importa começar por dizer que só quem corre sabe ao que me refiro. ponto.
nós, as mulheres, quase todas, começamos a correr porque dá uma espetacular sensação de emagrecimento e definição rápidas, eficazes e quase milagrosas. antes mesmo da tal hormona da felicidade começar a fazer efeito e a criar vício, a gente corre, porque realmente ficamos mais fininhas! e isso é... "um sonho"!
depois, quando a tal substância da alegria e da felicidade and so on, and so on, começa realmente a fazer-se notar, chega o vício.
e minha gente, o vício é tramado. e o vício dá conta de nós quando começamos a ficar irritados porque não corremos há dois dias ou porque simplesmente, não podemos ver ninguém a correr, até na rua (!) a meio do dia, porque só nos dá vontade de calçar as sapatilhas e ir atrás. ou, atenção, bem pior: quando sabemos que não podemos correr e vamos de carro. nessa altura vislumbramos uma criatura na sua corrida, fresca e airosa, e só nos apetece atropelar porque... não vamos a fazer o mesmo!(risos)
isso sim, é o vício. o vício da corrida que, todos os dias, nos dá uma sensação maravilhosa de realização e, atenção, para nós as mulheres, nos faz parecer, mesmo que não o estejamos, bem mais giras e muito poderosas e tudo e tudo.

onde entra a lesão nesta história?

há umas semanas atrás quando comecei a fazer o trajeto da mini maratona de vale de cambra, coisa pouca de 10 km e muito pacífica para a preparação que eu já tinha, o pé direito começa a dar de si.
adormece. fica pedra. pesa horrores. não consigo sentir os dedos, o pé e o tornozelo. ao mesmo tempo dói. e, já na última corrida que fiz antes da mini, nem me deixava pousar no chão. sentei no passeio, tiraram-me a sapatilha, fui comprar um par novo já que achava que era do calçado, enfim, andei três dias seguidos na massagem e na fisioterapia porque "eu tinha que fazer esta mini maratona!" e tinha que fazer muito. muito.
o veredicto foi aquilo que eu já previa: muito treino. muita carga. uma lesão mal curada. e o corpo pelos vistos disse "minha amiga, se quiseres continua que eu, por agora, tenho que descansar". eu não lhe dei confiança nenhuma e continuei.
resultado: o meu pé direito não me permite correr neste momento.há um ano atrás tinha trabalhado até de madrugada e não consegui fazer a segunda mini, mas, desta vez, tendo preparado a comunicação do evento e a achar mesmo que ela estava a resultar, também tinha tudo preparado para que o domingo fosse "o domingo da mini". e foi.

bem, a última sessão de fisio foi na quinta-feira. comecei a correr ontem um bocadinho a medo. mas, ao quinto km já ia a gemer e a não querer que me falassem. e quando eu não quero que me falem... é porque a coisa está feia ou a ficar muito perto disso! ao sexto km quase que desistia e na última subida tive vontade de chorar com umas dores insuportáveis no tornozelo. percebi que a dormência do pé alastrava até ao joelho. e confesso que cheguei ao fim sem sentir nada.

só me apercebi que ia mal, realmente mal (!) quando começo a passar por pessoas que me conhecem e me perguntam se aquilo era defeito ou se era da chuva (risos). só aí percebi que ia em modo l-e-s-m-a. mas a sensação de poder falhar era ainda pior.

o meu homem que já me conhece, melhor do que eu, tinha-me dito que iria fazer a corrida comigo. acho que ele sabia que eu ia mancar, parar e até anteveu chamar os bombeiros em situação crítica. se no início eu achei que era mau irmos os dois, porque vamos sempre a resmungar o caminho todo sempre que corremos juntos, agora só lhe posso agradecer. se não fosse ele, eu acho que não a fazia.

depois, ao espírito amigo, de boa onda e de apoio que se sente com um grupo como o que está na foto. minha gente, esta é na verdade, uma sensação inexplicável.
quando olho para as nossas fotografias acho, mesmo, que ficamos com aqueles sorrisos bobos porque, juntos, nos sentimos felizes!

deixem lá o resto e as minhas maleitas e leiam só esta parte em que quero agradecer por tudo, o que juntos ou no abraço e no sorriso que cada um me dá, aquilo que fazem por mim. até quando eu corro coxa!

e sim, voltava a ir hoje outra vez. (talvez com o pé um pouco pior, vá!)

* nota: este meu modesto texto é dedicado à minha amiga rosa (é bom ter uma amiga com nome de flor!) que recentemente tramou as suas belas canelas no confronto com a caixa assassina do crossfit. estava inscrita nesta corrida, mas cedeu o dorsal a bem da sua saúde. as melhoras querida r.

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