segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
vive la fête até já!
era das lojas mais charmosas cá do burgo e que me vai deixar muitas saudades. no início, e quando a r. me confessou que fecharia portas em 2014, pensei (quase como se pensa a ausência de um amigo) que ah e tal é só para o ano e até lá, pode ser que ela mude de ideias. achava eu que a vive la fête, de que falei pela primeira vez aqui, simplesmente, não poderia fechar!
não valia a pena, explicou-me ela, manter um negócio assim, que não dava lucro algum, e que, sobretudo, não merecia tanto sacrifício. pelas mais variadas razões que não me cabe explicar.
mas afinal era mesmo isso, e na sexta-feira, lá fui buscar a minha encomenda mais recente. sim, porque a vlf viverá no éter (da internet) e desde hoje que se mantém como loja online.
contudo, não havia nada que pagasse ir à loja da r., maior parte das vezes a correr, mas sempre para encomendar um bolo único, comprar um ou outro presente que fazia sempre sucesso porque era original, e- cereja no topo - ter uma boa conversa... isso, meus amigos acabou.
e eu tive a certeza absoluta quando, na sexta e na iminência de não conseguir sair do trabalho a tempo, ainda enviei uma mensagem à r. a perguntar "tens a certeza que não estás aí amanhã?!" e ela me respondeu também à francesa, como o nome da sua loja "hoje c'est fini!".
aquela determinação, desconhecida para quem não conhece bem a r. como eu, deixou-me esclarecida e lá fui numa semana de despedidas, despedir-me também daquele canto tão especial.
disse ela que eu era mesmo a última cliente e às seis horas começou a fechar os estores.
a melancolia de uma pessoa melancólica como eu, ainda tentou vir ao de cima, mas a r. demoveu-me logo de começar ali com lamechices.
ficou, mais do que as coisas que lá se compraram, a certeza de que a vive la fête tinha um bom gosto mais do que o exigido, que de facto não acompanhava as tendências de uma terra cinzenta (desculpem lá, mas é verdade) e que era, mais do que uma loja, um sítio onde não havia preços exorbitantes e acima de todas as coisas, predominava um romantismo e uma boa onda fantásticos.
obrigada r. por teres mostrado durante este tempo todo que era possível, e por teres construído esse bocadinho de paraíso num canteiro de um jardim (a ser também só podia ter sido ali).
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)




Sem comentários:
Enviar um comentário