já vos falei aqui da minha fase betty feia, certo?
a verdade é que se nunca falei, foi mesmo por esquecimento, tantas são as vezes em que me queixo disto.
desde que me roubaram os óculos que não tenho assumido a personagem ao mais alto nível, mas a verdade é que a caminho dos três anos com este aparelho nos dentes (faz no dia 8 de março, três anos que tenho a boca amardilhada) nunca me cheguei a habituar à coisa, nem a encontrar aqui algum tipo de charme, tal como muitas vezes os meus amigos, queridos amigos, me quiseram fazer crer só para atenuar o arrependimento.
a decisão foi minha, só coloquei porque quis, e porque não tive medo de arriscar. para além disso, sabia desde o início que me poderia vir a dar mais qualidade de vida e a evitar que continuasse a ranjer os dentes durante a noite (e às vezes durante o dia) como se não houvesse amanhã.
a ideia é muito bonita, muito decidida e muito objetiva antes de sentir as verdadeiras dores de dentes a moverem-se para sítios que até então desconheciam e a pressão de quem tem uma gigante batata na boca a empurrar os dentes em todas as direções. para além do medo de que, a certa altura, nada disto dê certo.
então nesses momentos de aflição só penso que, no dia em que sair da dentista sem o aparelho na boca, vou direitinha ao solário. registaram? solário. ficarei bem "bronzeada" e depois faço um alto branqueamento! estão a imaginar: como as estrelas da tv. vai ser espetacular porque depois vou andar horas a fio a "arreganhar a taxa" (acho que é assim que se escreve).
por enquanto, tenho que me resignar , durante mais uns meses (nem perguntei quantos) às dores, ao desconforto, aos lábios a secar (bolas que os meus lábios nunca secaram tanto na vida, causando uma sensação de peles a levantar horrível), aos sorrisos amarelos ou aos não sorrisos.
está mesmo na hora de por isto daqui para fora.

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