podia dizer que estas férias, quinze dias inteiros, do principio ao fim, livres e fora da loucura do trabalho, estava tão cansada que não treinei absolutamente nada. era fácil arranjar assim uma desculpa.
a verdade é que não treinei. mas, não foi por estar muito cansada. o que não encerra, em si, uma mentira. ou seja, eu vim de rastos (!), parecia que me tinham passado por cima um camião, que a minha única saída seria uma cura de sono, uma baixa psiquiátrica ou simplesmente, vir embora de vez por não aguentar mais e desistir daquilo que me cansava ao ponto de já não saber bem o que fazer ou de não me conseguir concentrar.
mas, a verdade é, acima de tudo que não treinei porque simplesmente fiz esta escolha consciente de não fazer absolutamente nada: não treinar força, não correr, não cozinhar, não mexer uma palha. não fazer, simplesmente nada na lógica do "quem quiser que faça". literalmente. tentar descansar a mente, na consequência de relaxar a tensão do corpo. não me importar com o que aí poderia vir, com as ancas a alargar ou as coxas a relaxar. peguei em dois livros que queria mesmo ler em ferias e li, também muito devagar, sem a voracidade do costume.
foram das melhores ferias, com mimos e descanso. não sei se chegaram, mas tinha decido que hoje a coisa começaria a sério.
e, mais uma vez, literalmente, a sério. Com direito a regressar ao trabalho, à rotina de sempre, pelas estradas e pelos recantos de sempre, com as pessoas de quem se gosta e se tem saudades sempre e também com aquelas que dispensamos da nossa vida sempre.
começaria a sério, porque o fim das férias de verão é, para mim, a viragem de um ano e começaria a sério porque hoje, com mais ou menos queixas e com mais ou menos dores, mimos e medos, iria treinar.
e hoje, quando fiz os cinco km que mais me pareceram cinquenta, e quando o joelho doeu e não me apeteceu dar nem mais um passo em frente, olhei para ti e percebi: que toda aquela pausa que poderia parecer inexplicável, passou, aos poucos, a fazer sentido e que só existiu para que hoje, eu agradecesse uma vez mais, baixinho e para dentro, ter-te comigo, teres telefonado a arrancar-me do trabalho e a aturares-me no difícil deste recomeço.
hoje, foi assim. e quando corria percebi que era sobre isto que queria escrever, ser lamechas ou mimada, ou outra coisa qualquer, que me faz agradecer e amar cada bocadinho em que me mostras que, esta corrida, fazemos juntos,
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