sexta-feira, 29 de agosto de 2014
arredonda a saia!
desde que me lembro de ser eu, que gosto de usar saia. e desde que me lembro de ser eu, que a minha mãe me faz roupa.
primeiro os vestidos, os meus vestidos de criança e o da boneca "zézinha" pormenorizadamente a condizer com os meus, com os restos de tecido que sobravam (não sei porque razão a minha primeira boneca teve esse nome, mas deve ter sido por mais coincidir com o do meu pai).
depois, o vestido do baptismo. o vestido das comunhões todas. os vestidos dos casamentos todos. a farpela da comunhão da minha irmã. os tops, as calças, as camisolas de lã. copiados exatamente pela revista "burda" (!) que eu lia e relia, em todas as direções e onde me detinha a sonhar com aquele casaco ou aqueles calções. tão coloridos e alegres, tão lindos, como só a publicação europeia trazia. como um mundo que eu não conhecia, mas que podia experimentar porque a minha mãe (tinha) tem umas mãos de fada. fada não, de rainha e como eu nunca terei. fazia-me com pachorra as calças à boca de sino, exatamente como eu queria e iguais às dos anos setenta que usava na faculdade.
saiamos as duas para escolher tecidos e comprar botões. e eu tenho a nossa imagem dessas incursões para sempre na cabeça como uma marca que fica! tão boa...
a minha mãe fazia-me a roupa. e quando não fazia, eu arranjava alguma peça ou outra que lhe pedia muito para ela fazer. mesmo quando ela achava que eu já não ia querer roupa costurada por ela.
com todo o amor. e com todo o carinho do mundo.
a saia que uso hoje é um desses casos: um tecido perdido lá em casa, às bolinhas e uma barra azul. simples, simples. como eu gosto e como só ela sabe fazer.
descobrimos entretanto (dei pulinhos de contentamento) que há lá uma saia meia feita, já de tecido de inverno que eu ainda não cheguei a provar e que ela vai terminar em breve (prometeu-me).
e acho que nem preciso de o fazer porque ela conhece como ninguém as medias, as larguras e finuras do meu corpo. as manhas de uma cinta fina e de uma anca mais larga. e aposto que a tal saia nova de inverno iria sair bem à primeira. será uma saia perfeita, de uma saia inacabada!
mas... ainda tenho que ir à prova!
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